Plataforma de discussão sobre o futuro das cidades

Plataforma de discussão
sobre o futuro das cidades

Moradia

Moradia representa um grande desafio para as cidades atualmente, em diferentes partes do mundo. Das menos às mais desenvolvidas. A urbanização em escala planetária acarretou migrações, imigrações e transmigrações permanentes, gerando novos déficits habitacionais. A falta de planejamento urbano, por seu turno, provoca vazios demográficos acompanhados por processos de degradação física-ambiental, ou, por outro lado, a formação de clusters urbanos superpovoados, mas desprovidos de infraestrutura e serviços essenciais para a população. 

 

Tais situações exigem que o próprio conceito de "moradia" se expanda, dizendo respeito não apenas ao "habitar" em local específico, mas em relação ao entorno, à malha de serviços e a toda uma rede de conexões com a cidade. Em resumo, discutir moradia, hoje, é discutir muitos outros aspectos além da unidade habitacional. 

 

Nesse sentido, o Arq.Futuro deu início à articulação de um grupo muldisciplinar formado por professores da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), do Insper e da Escola da Cidade, com vistas a refletir sobre o tema, numa abordagem transversal e multidisciplinar. Em encontros regulares, o grupo vem trocando experiências e aproximando visões, de modo apresentar para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) um projeto de pesquisa sobre moradia, voltado para a realidade paulistana. 

 

A ideia básica é focalizar a região central da cidade de São Paulo, já provida de infraestrutura básica e serviços urbanos essenciais, mas que, por dinâmicas a serem melhor estudadas, ainda não implantou modelos consistentes de moradia não só popular, mas para média renda. O grupo de trabalho, em suas discussões, tenta entender as dinâmicas sociais, econômicas e culturais perceptíveis no centro de São Paulo: o esvaziamento populacional, a situação geral de empregabilidade, a qualidade do transporte, a segurança pública, a pressão crescente dos movimentos de moradia, os interesses do mercado imobiliário, entre outros aspectos. 

 

Desse cruzamento de olhares, o grupo tentará entender por que vários programas de moradia fracassaram na região e quais seriam, hoje, os indicadores confiáveis para a revitalização da área.