Plataforma de discussão sobre o futuro das cidades

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sobre o futuro das cidades

Por que se diz que vivemos uma crise hídrica?

A expressão “crise hídrica” refere-se à falta d’água nos rios e reservatórios, seja para gerar energia, seja para abastecer casas, empresas, instalações agropecuárias e indústrias. Quando calculamos o consumo total de água do país, computamos a água usada para o abastecimento, pois ela não retorna ao ambiente. A água usada na geração de energia, em contraste, é devolvida à natureza. Por isso, as hidrelétricas são consideradas fontes de energia renováveis.

 

Isso não significa que a crise hídrica não tenha impacto sobre a geração de energia: segundo um relatório do Ministério de Minas e Energia sobre 2016, 65,7% da oferta de energia elétrica do país é de fonte hidrelétrica. Dependemos excessivamente da água para gerar a nossa energia – dessa forma, quando há uma seca prolongada e falta água nos reservatórios, o fornecimento de energia pode ser interrompido, levando aos apagões.

 

No caso do abastecimento para consumo, a escassez hídrica pode ser quantitativa ou qualitativa. A escassez quantitativa é a situação em que, simplesmente, não há água nos reservatórios.  Já a escassez qualitativa é a situação em que a água disponível é de qualidade insuficiente para o uso a que se destina – em outras palavras, a água não pode ser usada porque está contaminada ou cheia de lixo.

 

A escassez qualitativa está muito ligada à poluição dos mananciais. O saneamento nas cidades brasileiras é precário: apenas 42,7% do esgoto doméstico é tratado antes de ser despejado nos corpos d’água; essa concentração de esgoto nas águas impede, muitas vezes, que elas possam ser tratadas e consumidas. Ou seja: não basta que haja água;  é preciso que a sua qualidade seja adequada para o tipo de consumo a que se destina. O consumo de água no Brasil é dividido em cinco grupos. O principal, irrigação, responde por 75% do consumo, seguido do consumo animal (9%), abastecimento humano urbano (8%), indústria (6%) e, por fim, abastecimento humano rural (2%). Existe, ainda, uma dimensão econômica a ser considerada: em épocas de seca, muitas vezes é necessário transportar água por quilômetros até as regiões metropolitanas – um modelo de abastecimento insustentável.

 

O fato é que o volume de água nos reservatórios tem diminuído enquanto a população brasileira continua crescendo, aumentando tanto a demanda por energia quanto a geração de poluentes. Para não ficarmos sem água, precisamos agir em algumas frentes:

 

- Investir na infraestrutura de saneamento, reduzindo os vazamentos nas redes de abastecimento, que desperdiçam um terço da água distribuída.

- Aumentar a coleta e o tratamento de esgoto, o que evita a poluição dos mananciais.

- Ampliar a produção de energia eólica e solar, reduzindo a dependência da energia hidrelétrica

- Integrar as redes de distribuição elétrica do Norte e do Sul do país, de forma que, quando os reservatórios de uma região estiverem vazios, se possa aproveitar a energia gerada na outra.

- Disseminar o uso da irrigação por gotejamento na produção agrícola - setor responsável por 75% do consumo de água no Brasil