Plataforma de discussão sobre o futuro das cidades

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sobre o futuro das cidades

Águas Claras do Rio Pinheiros

Em parceria com o Arq.Futuro, o projeto da Oscip Águas Claras do Rio Pinheiros, liderado pela geógrafa Stela Goldenstein, pretende propor um plano de bacia para revitalização ambiental. A área piloto corresponde ao Córrego Jaguaré, importante afluente da margem esquerda do Rio Pinheiros. O projeto conta com a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica, o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), o LabVerde da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a Sabesp e a Cetesb.

 

Nas áreas muito urbanizadas, de intensa ocupação do solo, a possibilidade de uso múltiplo dos recursos hídricos está fortemente condicionada à qualidade sanitária e ambiental da bacia, que, por sua vez, é resultado direto das ações humanas. De fato, a qualidade das águas urbanas resulta do padrão de gestão do território e das atividades ali instaladas. O projeto pretende estabelecer diretrizes para a mobilização e para um programa de ação para a revitalização da bacia hidrográfica do Córrego Jaguaré.

 

A gestão de bacias urbanas é muito complexa, por exigir a integração de políticas públicas que, no entanto, tradicionalmente se desenvolvem de forma segmentada. A desarticulação entre os setores públicos responsáveis pela infraestrutura de drenagem urbana, saneamento, controle do uso do solo, planos urbanísticos e gestão de resíduos, leva os recursos hídricos urbanos a situações-limite. O desenho institucional e as estratégias financeiras estabelecidas para cada uma dessas políticas estão conformadas a partir de organizações públicas focadas em metas segmentadas e desarticuladas, com legislações, padrões orçamentários e modelos de financiamento que não permitem uma ação mais abrangente.

 

Neste projeto serão discutidas propostas de intervenções que possam trazer soluções efetivas para a gestão de bacias urbanas. A coleta e tratamento dos esgotos gerados, a limpeza urbana, a drenagem de águas pluviais, o controle das fontes difusas de poluição e a paisagem e o uso do solo serão repensados conjuntamente. Serão discutidos projetos urbanísticos que articulem a drenagem com alternativas locais para a coleta e o tratamento unitário e descentralizado de águas residuais e de primeiras chuvas, assim como para a coleta e a diminuição de resíduos sólidos nos primeiros locais de seu acesso e chegada aos corpos d'água.

 

A bacia hidrográfica desse afluente do Rio Pinheiros corresponde a cerca de 10% do território da área da bacia do rio principal. Trata-se de uma região extremamente interessante, que dispõe de áreas de nascentes a proteger, de áreas de ocupação intensa e com boa infraestrutura, assim como áreas de ocupação irregular e com infraestrutura muito precária. Ao mesmo tempo, ainda conta com trechos de rios que correm a céu aberto e trazem grandes oportunidades para a proposição de intervenções na paisagem. Esse é o desafio.